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Educadora conduz atividade com crianças, representando o cuidado e a promoção da saúde mental nas escolas.

Saúde mental nas escolas: estratégias para cuidar de educadores e estudantes

Nos últimos anos, muito tem se discutido sobre saúde mental nas escolas. Esse é um aspecto fundamental do bem-estar global. No ambiente escolar,  educadores e…

Nos últimos anos, muito tem se discutido sobre saúde mental nas escolas. Esse é um aspecto fundamental do bem-estar global.

No ambiente escolar,  educadores e estudantes enfrentam desafios únicos diretamente relacionados ao processo de ensino e de aprendizagem.

De acordo com um estudo realizado pela União Nacional dos Dirigentes Municipais de Educação (Undime) em colaboração com a organização Itaú Social, constatou-se que a saúde mental representa, nos últimos anos, o principal desafio para 75% das redes de ensino ligadas ao Ensino Fundamental no setor público do Brasil.

Após a pandemia da Covid-19, muitos estudantes ainda apresentam medos que surgiram durante o período de isolamento social.

Segundo a  pesquisa Situação Mundial da Infância 2021, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), mais de 1 em cada 7 meninos e meninas com idade entre 10 e 19 anos vivem com algum transtorno mental diagnosticado. 

Estratégias para melhorar a saúde mental nas escolas

Em cenários como esse, entender as questões emocionais e psicológicas nas escolas públicas e privadas impacta diretamente na elaboração de estratégias das instituições.

Dentro do plano, as escolas podem implementar o desenvolvimento de habilidades socioemocionais, prevenção e o acesso a serviços de apoio especializados.

A saúde mental e a educação socioemocional estão intrinsecamente ligadas. É o que explica Maria Tereza Ramos,  psicóloga e coordenadora pedagógica da EAI Educa.

“Falar em saúde mental nas escolas vai muito além de pensar em diagnósticos ou intervenções em situações de crise. Estamos falando da construção de um espaço em que  cada pessoa, estudante, professor, funcionária ou gestor se sinta respeitada, ouvida e pertencente, isto é, um  lugar em que o bem-estar emocional não seja um luxo, mas faça parte da rotina. Nesse cenário, as habilidades socioemocionais funcionam como pilares de proteção, pois ajudam os estudantes a fortalecer a autoestima, a autoconfiança e a capacidade de seguir em frente, mesmo diante das dificuldades. São essas competências que, muitas vezes, evitam que um conflito vire violência, que uma tristeza vire isolamento ou que uma insegurança comprometa o desejo de aprender. Promover a cultura socioemocional nas escolas não é apenas uma estratégia pedagógica, mas é um gesto ético e uma escolha afetiva. É investir em seres humanos mais conscientes,  preparados para lidar com os desafios da vida, mais saudáveis mentalmente e,  acima de tudo, é escolher, todos os dias, cultivar a humanidade”, comenta Maria Tereza. 

A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) reconhece a importância da saúde mental para o desenvolvimento integral dos estudantes.

As competências socioemocionais previstas no documento estão diretamente relacionadas à saúde mental e contribuem para o desenvolvimento de habilidades como autoconhecimento, autorregulação, empatia, colaboração e resolução de problemas.

Confira algumas estratégias que podem ser adotadas: 

  1. Mapeamento dos sinais emocionais

É um processo de identificação e avaliação dos sinais de saúde mental e socioemocional dos estudantes. Gestores escolares, educadores e todos outros profissionais devem estar atentos aos primeiros sinais de que algo possa estar errado com as crianças e adolescentes. 

  1. Colaboração coletiva

A escola deve concentrar-se em encontrar soluções. Em vez de atribuir a tristeza de um estudante aos pais, por exemplo, pode organizar uma conversa com a família para estabelecer uma parceria que beneficie a vida pessoal e acadêmica da criança ou do adolescente.

  1. Conscientização sobre a pressão

Atividades avaliativas são parte integrante do processo de ensino e de aprendizagem. No entanto, é fundamental evitar a criação de um ambiente escolar permeado por pressão e competitividade, especialmente.

O ideal é que os estudantes se percebam capazes de cumprir as demandas antes de enfrentar desafios mais complexos.

  1. Acolhimento e escuta

Assim como se aborda a recomposição de aprendizagens, é essencial considerar a recomposição emocional.

A escola pode organizar momentos de conversa e atividades (escritas, orais, relacionadas às artes etc.) nos quais os estudantes possam elaborar e expressar, de forma individual e coletiva, seus sentimentos em relação a si mesmos, ao grupo, à escola e ao mundo.

  1. Encaminhamento para a rede de apoio

Ao observar e ouvir os alunos de maneira atenta, os professores podem identificar mudanças nos padrões de comportamento das crianças e dos adolescentes.

Se necessário, a escola deve encaminhar o estudante para a rede de apoio, proporcionando atendimento por profissionais como psicólogos, por exemplo.

  1. Envolver a comunidade

A comunidade também pode contribuir para a promoção da saúde mental dos alunos. A escola pode promover parcerias com organizações locais, eventos de conscientização e profissionais capacitados para tratar sobre a temática em diferentes momentos dentro da escola. 

  1. Incorporar as competências socioemocionais ao currículo

As competências socioemocionais podem ser incorporadas ao currículo de todas as disciplinas, de forma transversal. Isso significa que elas podem ser trabalhadas em todas as aulas. 

  1. Monitorar e avaliar as ações

A escola pode  monitorar e avaliar suas ações para promover a saúde mental. Isso ajudará a identificar o que está funcionando bem e o que precisa ser melhorado.

Pesquisas periódicas para entender e avaliar a eficácia das ações e reuniões regulares podem ser meios de acompanhar as atividades realizadas. 

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Sentimentos e emoções: como identificar e acolhê-los na escola?

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Habilidades socioemocionais: como desenvolvê-las com atividades pedagógicas?

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