Atividades de reforço escolar, dança, curso de idiomas, luta, esporte e outras tantas tarefas passaram a ser comuns no dia a dia das crianças. Para muitos pais e responsáveis, organizar uma rotina infantil com esses compromissos, também é uma forma de conciliar a vida corrida com as demandas da parentalidade. A agenda cheia, que parecia sinônimo de oportunidade e preparo para o futuro, tem deixado de lado algo essencial para o desenvolvimento infantil: o tempo livre. O excesso de atividades tem consequências importantes para a infância. Assim como nos adultos, uma agenda cheia também causa ansiedade em uma criança e isso pode se manifestar por meio de diferentes sintomas, como reclamações sobre as atividades, cansaço e irritabilidade, por exemplo.
Nesse sentido, de acordo com matéria publicada pelo Portal Lunetas, a subjetividade e a saúde mental das crianças também podem ser prejudicadas. Isso ocorre porque a rotina atarefada resulta na exaustão e em uma autocobrança. Mais do que uma fase, a infância é o período em que se constrói a base emocional, social e cognitiva. Por isso, o tempo livre não é o vazio a ser sentido, mas um território para o crescimento emocional. É no “não fazer nada” que a criança pode descobrir habilidades, gostos, talentos e se aprofundar no desenvolvimento próprio, descobrindo sobre si mesma e o mundo.
O sociólogo Domenico De Masi chamou esse processo de ócio criativo, o momento em que a inatividade se transforma em criatividade. Quando a criança tem tempo para brincar livremente, sem pressa nem direção, ela tem espaço para aprender outras habilidades essenciais, como a capacidade criativa, social e relacional. Ao brincar, a criança aprimora o foco e a concentração, experimenta papéis sociais, explora o corpo e a linguagem e aprende sobre si e sobre o outro.
Mais do que uma simples diversão, cada brincadeira é uma imersão pelo mundo das emoções e para o desenvolvimento socioemocional. É brincando que a criança aprende a sentir, compreender e lidar com seus sentimentos de forma saudável. O brincar é, inclusive, um direito garantido pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC). No e-book A importância do brincar, a EAI Educa destaca como essa experiência fortalece o foco e o planejamento, estimula a colaboração e o respeito, aprimora o equilíbrio e a coordenação, além de desenvolver a comunicação e a expressão emocional. Confira como são chamadas essas habilidades:
- Habilidades executivas: desenvolvimento do foco, da atenção, da concentração e do planejamento antes da ação. Melhora a capacidade de solucionar problemas partindo da própria pessoa e, não apenas, de recorrer a respostas mais óbvias ou mais sugeridas.
- Habilidades sociais e relacionais: é possível brincar sozinho, mas, em muitos momentos, a brincadeira unirá crianças, adolescentes e adultos. Por isso, ensina a colaborar, trabalhar em grupo, a respeitar, a ter empatia, a seguir as regras e o valor da liderança.
- Habilidades físicas: desenvolvimento motor, equilíbrio, conhecimento do corpo, coordenação motora, reconhecimento espacial, controle da força, flexibilidade.
- Habilidades cognitivas: uma boa comunicação, com clareza, objetividade, assertividade. Aprende a utilizar recursos para além da fala, como gestos, expressões, movimentos. Também ensina a falar sobre si, o que é importante, o que faz bem e o que faz mal, expressando o que acredita e o que sente.
A sobrecarga de atividades não torna as crianças mais preparadas, pelo contrário, compromete a aprendizagem e antecipa pressões adultas. O estudo Infância sobrecarregada: excesso de estudos e atividades extracurriculares na vida da criança, convida os leitores a reverem a lógica, manifestando que escola, família e sociedade precisam garantir espaço para o brincar, descanso e a vivência integral da infância. Mais do que preservar uma fase, trata-se de cuidar da saúde emocional de quem está moldando o seu ser.
Redescubra o poder do tempo livre. Baixe o e-book A importância do brincar e entenda como o simples ato de brincar fortalece a saúde emocional e o desenvolvimento integral das crianças.



