A hiperconectividade descreve a ação de estar conectado o tempo inteiro em algum dispositivo tecnológico. A prática é comum nos dias atuais e já é difícil imaginar o cotidiano de alguém sem um smartphone conectado à rede, independente da idade.
Para lidar com esse cenário no ambiente escolar, a Lei nº 15.100/2025 restringiu o uso de celulares em todas as salas de aula do país.
Com a norma, o uso dos aparelhos é liberado para fins pedagógicos e com a instrução de professores, para garantir a acessibilidade e a inclusão e, quando for necessário, atender a questões de saúde ou garantir direitos fundamentais.
De acordo com a Nova Escola, referência no fortalecimento da Educação Básica, a hiperconectividade tem ampliado o desafio de engajar os estudantes na aprendizagem e pode gerar consequências para a saúde mental de crianças e jovens, entre elas::
- Falta de concentração: diminuição da capacidade de foco por conta das notificações e informações que chegam aos celulares o tempo inteiro, prejudicando o sistema cognitivo de aprendizagem.
- FOMO: o Fear of Missing Out é o medo de estar perdendo algo. Essa é uma ansiedade que afeta o bem-estar emocional e, consequentemente, a aprendizagem. Isso ocorre porque as emoções intensas e negativas consomem recursos cognitivos.
- Vício: os jogos de apostas na internet estão cada vez mais populares entre as pessoas. O sistema de recompensa rápida é algo que atrai e gera comportamentos impulsivos e dependentes.
- Tendência a comportamentos depressivos: atitudes depressivas também podem surgir a partir do excesso de exposição às redes sociais e o cyberbullying é um dos principais motivadores para isso.
- Desafios socioemocionais e comportamentais: o excesso da presença digital pode ausentar o jovem do mundo real. Esse comportamento pode levar ao isolamento e, com isso, à dificuldade de desenvolver habilidades socioemocionais importantes para o desenvolvimento.
A era hiperconectada oferece desafios e benefícios. Além da sala de aula, é preciso manter o equilíbrio em casa. Isso é possível com algumas atitudes, como:
- Manter um tempo limite: depois de ficar sem acesso na escola, pode ser comum que o jovem chegue em casa e passe muito tempo nas telas. Converse e combine um tempo limite para que seja um movimento implementado na rotina de casa também.
- Apresente outras atividades: a falta de tarefas pode ser um convite para a utilização das telas. Entenda quais atividades lhe agradam e tente inserir na rotina.
- Seja exemplo: o excesso de uso de telas não afeta apenas os jovens. É preciso cuidar do tempo que você passa conectado. Crie mais momentos de interação, jogos e esportes, por exemplo.
Atualmente, crianças e jovens têm acesso às telas e à internet cada vez mais cedo. O estudo TIC KIDS ONLINE BRASIL 2024 indicou que 93% da população de 9 a 17 anos é usuária de internet, sendo que 76% deles utilizam as redes sociais e 76% encaminham mensagens instantâneas.
Além das possibilidades trazidas pelo ambiente virtual, ele também é palco, em muitos casos, de práticas de intimidação, humilhação, como o cyberbullying, e disseminação de informações falsas.
Para combater esse tipo de prática, uma das respostas está na Educação Midiática. O EducaMídia, programa criado para capacitar professores e organizações de ensino e engajar a sociedade no processo de educação midiática dos jovens, explica que o termo trata da habilidade para acessar e analisar criticamente informações, produzir conteúdos com responsabilidade e participar de maneira mais consciente e equilibrada do ambiente informacional e midiático em todos os seus formatos.
“Não podemos desconsiderar a importância da educação midiática ou digital. É preciso preparar as novas gerações para o uso consciente da tecnologia e, sobretudo, estimular o contato e o conhecimento das muitas formas de aprendizado presentes nas redes. É imprescindível trilhar esse caminho pois a presença maciça da tecnologia em nossa sociedade é um caminho sem volta e, com o crescimento exponencial da Inteligência Artificial, estará presente em todas as dimensões da vida dos aprendizes”, destaca Vivian Dias, diretora pedagógica da EAI Educa.
Para trabalhar o assunto em sala de aula, o EducaMídia mostra três habilidades para desenvolver uma convivência online saudável e consciente: ler, escrever e participar.
- Ler: nesse eixo, os dois tópicos centrais são o letramento da informação e análise crítica da mídia. O primeiro aborda a importância de dominar técnicas de busca, curadoria e produção de conhecimento. O segundo é sobre ter uma leitura reflexiva da mídia em todos os formatos apresentados.
- Escrever: divide-se em dois pontos, que tratam da autoexpressão e da fluência digital. O primeiro tem o objetivo de demonstrar habilidades de escrita técnica, criativa e bem desenvolvida e o segundo é sobre a capacidade de se adaptar e encontrar novas ferramentas.
- Participar: cidadania digital e participação cívica são os temas que compõem a terceira habilidade.
Fica explícita a importância da interação com o outro acontecer de forma segura, responsável e consciente. Além de demonstrar capacidade de solucionar problemas, buscar ajuda e atuar na sociedade fazendo uso de textos de mídia.



